Cintilância
De um jeito ou de outro, pessoas vão passar por sua vida. E não adianta dizer que não vai amar mais ninguém, porque vai. Seu coração é bobo, todos os corações são bobos, e por mais ferido que esteja, você vai sempre voltar a amar.

passaro-selvagem:

Eu só queria ter alguém pra poder contar dessas noites ruins. a noite passada foi horrível, eu não consegui dormir por um minuto em paz, cada vez que eu acordava eu conferia o relógio pra ver se já estava na hora de levantar, mas toda vez que eu também olhava, só haviam se passado 10 minutos, mas esses minutos pareciam uma eternidade

eu queria você, pra poder contar dos pesadelos,

dos monstros,

do pavor,

da crise,

do medo.

eu queria seu abraço que sempre ma acalmava e mesmo sem dizer uma palavra, eu sabia que pelo menos ali, dentro dele, eu estava segura, eu sabia que o mundo poderia desmoronar, mas eu ainda estaria segura ali com você,

eu queria contar pra você sobre como isso faz falta

e sobre como essa noite passada doeu

e como eu achei que não iria aguentar

eu queria, mas eu sei, não dá.

Estou tão cansado. Eu não sei o que fazer. Quando você tem estabilidade e planos e horizontes, você sofre com a ausência de medo. Medo da vida. Eu não tenho um medo. E sem ele, eu não consigo fugir de nada, e é fugindo que as pessoas acabam parando em algum lugar, algum lugar que elas nunca imaginaram que pisariam a princípio. Eu preciso de um medo. Preciso cometer um grande erro.
Quando a gente gosta, a gente começa emprestando um livro, depois um casaco, um guarda-chuva, até que somos mais emprestados do que devolvidos. Gostar é não devolver, é se endividar de lembranças.
Ninguém é obrigado a nos conhecer por dentro. Além disso, tem o que a gente é, a imagem que a gente passa e o que os outros concluem dela. Não quero que soe petulante o que vou dizer, mas nem faço muita questão que as pessoas me conheçam a fundo. Tem gente que não merece o nosso coração aberto. Certas pessoas não precisam conhecer nossa alma. Porque elas nem vão saber o que fazer com tanta informação (…)
Daqui a pouco o ano termina. Com a ida dele, chega a expectativa. O desejo de fazer diferente, a vontade de modificar o que não está legal, a ânsia de crescer e abraçar todos os planos do mundo. Finais de ano servem de balanço, de balança. A gente vai e vem, o pensamento viaja, o coração faz retrospectiva, a memória guarda o que foi bom e tenta passar a perna na parte amarga.
Mas eu nunca fui o tipo de gente que olha pra beleza e venera. Porque eu acho isso bobagem, porque a paisagem de dentro é sempre mais bonita. E se você me fala que fulano é lindo por causa do olho de cor diferente, por causa do sorriso branco, ou por causa do físico perfeito, eu sou obrigado a rir e dizer que nada disso vale um amor pra anos, um amor de anos: o exterior sempre perde para o tempo, sempre sucumbe à falta de maquiagem e à falta de mundo.
Ouça meu silêncio e escute as mais belas ou mais tremendas palavras. Palavras ocultas em linhas, cujas bocas populares chamam de caminhos. Caminhos que percorrem toda a minha prosa, na qual foi invadida por erros - pessoas. Ah, doce prosa… Cuja história não é mais minha.
Quando a gente gosta, a gente começa emprestando um livro, depois um casaco, um guarda-chuva, até que somos mais emprestados do que devolvidos. Gostar é não devolver, é se endividar de lembranças.
Sou um tanto pessimista, ou seria realista? De qualquer forma minhas conclusões geralmente precipitadas sempre dão certo. E pra não sermos tolos e cairmos na real, realista ou não, a realidade ainda assim é péssima.